16/01/2018

19. Problems


Demi fechou o notebook e suspirou jogando a cabeça para trás. Havia passado boa parte da tarde adiantando alguns projetos da empresa, ultimamente estava acumulando mais trabalhos do que o aceitável e isso lhe deixava terrivelmente estressada e para não perder um dia, ela resolveu adiantar um pouco do trabalho em casa. Seu estômago roncou alto e ela encarou o relógio de parede, eram quatro e meia da tarde e ela estava só com seu almoço na barriga. Demetria encarou a filha que brincava de boneca no tapete da sala. — Amor, vai calçar sua sandália, nós vamos na padaria do Ryan. — Disse deixando o notebook de lado. Alana assentiu sorrindo e correu para calçar suas sandálias, ela pegou sua boneca e esperou a mãe buscar sua carteira. — Vamos. — Demi disse descendo as escadas, elas saíram do apartamento e enquanto Alana chamava o elevador, Demi trancou o apartamento e guardou as chaves no bolso traseiro do short jeans. 

— Eu vou poder comer cupcake? — Perguntou quando elas adentraram no elevador. Demi cumprimentou um rapaz que estava no elevador e encarou a filha com a sobrancelha arqueada. — Por favor, mamãe. Os cupcakes do tio Ryan são os melhores. — Demi balançou a cabeça rindo e assentiu. 

— Apenas um, nada de abusar nos doces, mocinha. — Alana assentiu animada e saiu correndo pelo jardim do condomínio assim que as portas se abriram no térreo. Demi cumprimentou o porteiro que trabalhava no condomínio desde que elas haviam se mudado. Ela segurou a mão da filha e atravessou a rua assim que o porteiro abriu o portão para elas. O caminho até a padaria não foi demorado, a padaria ficava apenas duas quadras do prédio aonde Demi morava. O clima de Los Angeles estava agradável, estava quente mas o vento deixava a temperatura suportável e agradável. 

O sininho da porta anunciou a entrada das duas garotas. Ryan estava atrás do balcão atendendo alguns clientes, Demi acenou brevemente para ele e sentou-se em uma das mesas disponíveis. — Boa tarde, meninas. — Camila, a prima de Ryan que trabalhava como garçonete na padaria se aproximou e as cumprimentou com um sorriso enquanto segurava um bloquinho na mão. — Já sabem o que vão querer? 

— Cupcakes!  — Alana disse de forma animada fazendo Camila rir. 

— Você pode trazer pra mim um pedaço de bolo de laranja e chá de camomila, pra Alana um cupacke e suco de morango. — Camila assentiu prontamente anotando os pedidos, ela pediu licença e saiu para atender outras pessoas que esperavam por ela. 

— Amanhã é o meu passeio para o zoológico. — Alana disse lembrando a mãe. Demi assentiu fazendo uma careta, ela não estava se lembrando daquele detalhe, eram tantas coisas para se lembrar que não tinha como uma pessoa só dar conta. — Eu estou animada. — Falou observando o parque que ficava de frente para a padaria. As pessoas caminhavam de um lado para o outro e as crianças brincavam animadas na grama do parque. 

— Eu imagino que sim, querida. 

— Ei, meus amores. — Ryan disse se aproximando delas com uma bandeja nas mãos. Ele serviu o café e o bolo de laranja para Demi, e para Alana suco de morango e cupacke de chocolate, os favorito da pequena. — Como vocês estão? — Perguntou dando um breve beijo na testa de Alana. Demi sorriu e fechou os olhos quando ele fez o mesmo com ela. 

— Amanhã eu vou ao zoológico, tio. — Alana deu uma mordida em seu cupacke e suspirou apreciando o recheio de chocolate, ela adorava tanto aqueles bolinhos. 

— Aposto que você vai se divertir muito lá, era o meu passeio favorito quando eu tinha a sua idade. — Piscou enquanto alisava o cabelo da garotinha. Alana sorriu animada e voltou a prestar atenção em seu bolinho de chocolate. 

— E você como está? — Ele encarou Demi e cruzou os braços. — Kristen me contou que você foi parar no hospital e eu fiquei bem preocupado, eu iria passar lá no seu apartamento mais tarde pra saber como você está. 

— A minha pressão subiu mais do que deveria e acabei desmaiando, por pouco não tive um ataque cardíaco. — Falou bebericando seu chá. — Aquele desgraçado só me traz dor de cabeça! — Disse irritada mas logo mordeu o lábio inferior ao lembrar que a sua filha estava sentada bem ali ao seu lado, ela desviou o olhar para Alana e agradeceu mentalmente pela menina estar distraída com sua boneca. 

— Já passou e não vale à pena se estressar com isso, tudo o que você pode fazer é esperar pra ver o que vai acontecer daqui pra frente. 

— As coisas só tendem à piorar e eu sou a única que parece perceber isso. — Suspirou e fitou seu bolo de laranja intacto no prato. — Ele vai me exigir direitos e eu não sei o que eu sou capaz de fazer caso ele... caso ele tente tirá-la de mim, entende? — Alana fitou brevemente a mãe e o tio para depois fitar sua boneca, sobre o que eles estavam falando? 

— Ele não vai fazer isso, não vamos deixar. — Ryan sorriu e colocou uma das suas mãos em cima da mão de Demi. Ela sorriu fraco, desfez gentilmente do toque dele e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. — Vocês vão conversar sobre isso? — Demi deu uma garfada em seu bolo e o encarou. 

— Ele vai querer saber os meus motivos mas não estou pronta pra conversar sobre isso com ele. Eu não sei nem como vou olhar pra ele amanhã. Não quero nem pensar no que vai acontecer. — Demi suspirou encostando suas costa no encosto da cadeira e bebericou seu chá. — Eu só quero que esse pesadelo acabe e tudo volte à ser como era antes, antes dele voltar pra minha vida e virá-la de cabeça pra baixo. — Ryan assentiu entendendo o lado da amiga. Ele sabia como aquela história a deixava irritada e por isso preferiu não tocar mais no assunto. 

— Mamãe, quando terminamos de comer você pode me levar pra brincar no parque? — Alana perguntou fitando as crianças brincando pelo parque. Demi assentiu com um sorriso e limpou a bochecha da menina que estava suja de chocolate. Ao ver a resposta positiva da mãe, Alana tratou de comer seu bolinho e tomar seu suco de morango, assim que terminou, ela desceu da cadeira, segurou sua boneca e sorriu de forma animada para a mãe. — Podemos ir? — Demi riu e assentiu. Ela deu o último gole em seu chá e encarou o amigo. 

— Eu vou levá-la antes que ela tenha um ataque. — Brincou. Demi levantou-se e foi até o caixa pagar pela sua refeição. 

— Vou acompanhá-las. — Demi apenas assentiu e caminhou para fora do estabelecimento ao lado de Ryan. Eles esperaram o fluxo de carro diminuir e atravessaram a rua. Ryan colocou as duas mãos no bolso da calça jeans e observou Alana correr pelo parque animada atrás das outras crianças. — Eu estava pensando e... nós poderíamos sair pra jantar qualquer dia desses, o que acha? — Perguntou juntando toda a sua coragem. Ele não conseguia entender o motivo de Demi não lhe dar uma chance, ele era uma pessoa e tinha muito à oferecer, a questão deles serem amigos não deveria ser um obstáculo. 

— Ryan... 

— Me dê um motivo, Demi. Um motivo para justificar o porquê de você não querer tentar nada comigo, eu poderia ter fazer mais feliz do que esses caras que você fica sem compromisso, tudo o que eu preciso é de uma chance. 

— Ryan, você é meu melhor amigo. Não iria funcionar e a nossa amizade nunca mais voltaria ser a mesma. Não funcionária e acabaríamos machucando um ao outro, você é como um irmão pra mim.

— Eu não quero ser como um irmão pra você, eu quero ser mais do que isso. Eu não estou blefando, nunca falei tão sério em toda a minha vida, eu estou expondo meus sentimentos pra você, por você. — Ryan disse a olhando nos olhos, seu coração batia forte no peito, aquela era a primeira vez que ele demonstrava tão abertamente seus sentimentos. Demi o encarou sentindo seu coração acelerar, ela não queria machucá-lo mas também não iria deixar ele continuar nutrindo aqueles sentimentos por ela. 

— Ryan, eu não estou procurando por um relacionamento. — Disse escolhendo bem as suas palavras. Ela desviou o olhar para olhar a filha brincando com as outras crianças e depois de se certificar que a filha estava segura voltou a encarar o amigo. — E mesmo se eu estivesse, você não seria essa pessoa. Você e Kristen são meus melhores amigos, vocês são como os irmãos que eu nunca tive e a nossa amizade não vai pra frente se você continuar insistindo nisso. Eu vou ficar sem jeito na sua frente e nossa amizade vai acabar esfriando, eu estou falando isso para o seu bem, para o bem da nossa amizade. Por favor, não me cobre o que eu não posso te dar, você vai encontrar alguém que te ame do jeito que que você merece ser amado.

— Tudo bem, Demi. — Respondeu cansado. — Só me responde uma coisa. — Ela assentiu e ele encarou os olhos marrons da melhor amiga. — Você ainda sente... por minimo que seja, alguma coisa pelo pai da Alana? — Demi franziu o cenho e riu de forma irônica sem acreditar no que havia acabado de sair da boca dele. Aquele era um tipo de piada?

— Sinto, sinto raiva, ódio, rancor... está satisfeito? Agora você pode me deixar sozinha? Eu preciso de um tempo com a minha filha sem nenhum problema me cercando. — Disse irritada. Ryan apenas assentiu e deu as costas caminhando de volta para a padaria. Demetria sentou-se em um banquinho disponível e observou a filha, quando era que finalmente teria paz na sua vida? 

Ela passou uma hora e meia naquele parque junto com a filha. Demi gostava de ver Alana interagindo com outras crianças e por isso deixou a filha brincar o restante da tarde com os novos amiguinhos que ela havia feito no parque. Aquele tempo no parque foi bom e permitiu que ela se livrasse do impacto de como as coisas estavam acontecendo rapidamente em sua vida. Quando chegou em casa, ela ordenou que Alana fosse para o banho, a pequena estava toda suja de terra de tanto brincar. Alana obedeceu a mãe e correu para o banheiro. Demi colocou a carteira em cima da mesinha de centro e caminhou para a cozinha lavar as mãos e começar à preparar o jantar.


***

O céu estava alaranjado anunciando o fim do dia. A voz do Ed Sheeran soava baixinho no rádio e Joe batucava no volante conforme a música. Ele estava parado no trânsito de Los Angeles, havia ficado até mais tarde na empresa adiantando seu mais novo projeto, ele estava feliz e satisfeito de como a maior parte da empresa estava cooperando para o andamento do projeto social. O toque do seu celular fez ele desviar o olhar da estrada para atender o aparelho, o nome da sua mãe brilhou na tela e ele fez uma careta sabendo que iria escutar um sermão por ter passado tanto tempo sem ligar. — Alô? — Disse e colocou no viva-voz para dirigir em segurança. 

— Oi meu filho, como você está? — Kelly perguntou. — Você nunca mais deu notícias, eu estava preocupada. 

— Eu estou bem, mãe. Sinto muito por não ligar mas as coisas por aqui estão uma verdadeira loucura, você não acreditaria se eu te dissesse. — Disse imaginando como os pais reagiriam quando ele contasse que tinha uma filha com Demi. 

— Eu liguei pro seu tio hoje de manhã, ele me disse que você está se esforçando muito, eu estou orgulhosa de você, meu amor. — Joe riu baixinho, ele estava quase completando trinta anos e a sua mãe ainda lhe tratava como um bebê. Ele desviou o olhar do celular para o trânsito que estava começando à andar. 

— Como meu pai está? — A relação de Joseph com o pai não era uma das melhores desde que Joseph havia se separado de Sophie. Bruce não havia aceitado a separação do filho e chegou à ameaçá-lo. 

— Ah, querido. — O suspiro triste da mãe não passou despercebido por Joe. Ele franziu o cenho um pouco confuso. — Ele está bem, trabalhando como sempre, você sabe. — Desde quando falar sobre Bruce era um peso pra sua mãe? Havia algo acontecendo que Joseph não conseguia identificar. — Eu estava pensando e... acho que vou tirar uns dias para ir te visitar aí em Los Angeles. O que você acha?

— Eu acho ótimo mas e o seu medo de avião? — Joseph parou o carro em frente ao condomínio que morava enquanto esperava o portão automático abrir para que ele pudesse estacionar o carro em sua vaga. 

— Pelos nossos filhos nós enfrentamos qualquer coisa, você vai entender o que eu quero dizer quando tiver um filho. — Joe não pode evitar o sorriso que nasceu em seus lábios, ele queria contar que tinha uma filha mas aquele não era o momento certo, primeiro ele precisava conversar com Demetria sobre tudo. Não via a hora de encarar Alana e dizer à ela que ele era o pai dela, não via a hora de poder abraçá-la fortemente e protegê-la do mundo. 

— Meu pai vem com você? — Perguntou adentrando com o carro em sua vaga de sempre. Ele se desfez do cinto de segurança e pegou o celular desfazendo o modo viva voz. 

— Seu pai está ocupado com as coisas do hospital, ele não tira férias desde que assumiu o cargo de presidente do hospital, a vida dele gira em torno daquele hospital. — Havia alguma coisa errada entre os seus pais e ele sabia disso! Joseph adentrou no elevador e cumprimentou educadamente as duas mulheres que estavam dentro do elevador. 

— Tem alguma coisa acontecendo entre vocês e a senhora não quer me contar o quê. 

— Isso não é assunto para ser tratado por telefone, Joe. — Ela suspirou, sua voz era de uma pessoa cansada. — Eu preciso ir agora, meu anjo. Tenho um compromisso no hospital, não fique muito tempo sem dar notícias, o.k? Eu me preocupo com você. 

— Eu sinto muito, prometo que não vou demorar tanto pra entrar em contato. — Joe sorriu e saiu do elevador assim que as portas se abriram em seu andar. Ele destrancou a porta do seu apartamento e adentrou retirando os sapatos. 

— Fico mais tranquila em saber disso, eu te amo, filho. 

— Eu também te amo, mãe. — Sorriu e desligou o celular. Selena desceu as escadas e sorriu assim que avistou o melhor amigo jogado no sofá. Ela sentou no braço do sofá e arqueou uma das sobrancelhas, estava ansiosa pra saber como havia sido com Demi na empresa. — O que foi? — Joe perguntou estranhando o olhar de Selena sobre o si, ela revirou os olhos e bocejou. 

— Você e Demetria conversaram? O que ela disse? — Por que as mulheres tinham que ser tão curiosas? Joseph fechou os olhos sentindo o cansaço do dia bater em seu corpo. 

— Ela está de atestado e pelo o que eu a conheço, ela vai fugir de mim e vai resistir essa conversa ao máximo que der. Eu não queria ter que forçar ela à nada, sabe? Eu quero que seja tudo no momento dela mas sei que se eu for esperar por uma iniciativa da parte dela, eu e Alana ficaremos mais cinco anos longe um do outro.

— É uma situação difícil, você precisa manter a calma e mostrar pra Demi que você é uma pessoa melhor. Ela não confia em você e você não vai ganhar a confiança dela só em uma conversa, você vai ganhar a confiança dela em suas atitudes e provando que você se tornou uma pessoa melhor.

— Tudo o que eu realmente consigo pensar é o fato de que eu tenho uma filha e vivi cinco anos longe dela. Eu perdi tanta coisa. — Disse pensativo. Ele havia perdido tantos momentos que os pais consideravam importantes na vida de um filho, a primeira fala, os primeiros passinhos, o primeiro dia na escola, eram pequenos momentos mas que eram muito importantes. Joe suspirou jogando a cabeça para trás e tampou o rosto com as duas mãos. — Minha mãe me ligou e disse que vai vir pra cá passar uns dias, tem algo estranho acontecendo entre ela e meu pai... acho que a situação por lá também não está nada boa.

— Eu também estou indo embora na próxima semana. — Joseph encarou a amiga e franziu o cenho. — Me ligaram da agência hoje e eu tenho um grupo para administrar, vamos sair dos Estados Unidos quinta feira que vem, vou ficar uma semana e meia na Suécia.

— Eu já estou tão acostumado com você aqui.

— Sua mãe vai vir te fazer companhia e eu não posso reclamar, gosto do meu trabalho. Prometo que volto sempre que tiver uma brecha, principalmente agora que eu sei que tenho uma sobrinha. — Joe sorriu feliz e encostou a cabeça no colo de Selena para ser mimado pela melhor amiga. O celular dele vibrou em cima da mesinha de centro, ele esticou o braço e desbloqueou o aparelho. Selena arqueou a sobrancelha ao ver o nome "Blake" aberto no aplicativo de mensagens. — Quem é Blake?

— É a nova arquiteta da empresa, eu fiquei responsável por ajudá-la no que fosse preciso. — Deu os ombros enquanto digitava agilmente.


Apartamento da Demi 
09:10 da noite. 

Como encararia Joseph no dia seguinte? Aquela era a pergunta que ela mais fazia à si mesma desde que havia deitado no sofá com a filha para assistir Procurando Nemo. Demi não sabia o que faria ou como agiria caso ele viesse lhe pressionar, tudo o que ela mais queria era que aquele pesadelo acabasse logo. Sua vida era bem mais fácil sem Joseph nela. Demetria respirou fundo e deu um beijinho nos cabelos loiros da filha. Ela fitou a televisão e franziu o cenho ao ver os créditos subindo na tela, o filme já havia acabado? Alana virou-se para encarar a mãe e sorriu fitando os olhos marrons. — Podemos assistir A Bela e a Fera agora? — Pediu fazendo sua carinha mais fofa, aquele truque era muito conhecido por Demi que negou com a cabeça e deu um beijinho na ponta do nariz da pequena. 

— Nada disso, amanhã você acorda cedo para ir à escola. — Demi sorriu da careta da filha e distribuiu vários beijos pelo rosto da pequena. Ela adorava mimar sua garotinha com vários beijinhos e abraços. — Nada de fazer careta, senhorita. — Alana riu e deu um beijinho na bochecha de Demi. — Vá escovar os dentes, eu vou arrumar essa bagunça e já subo, o.k? — A pequena assentiu e levantou-se junto com Demi. Ela subiu as escadas correndo e Demi riu baixinho, Alana era pequena e o pijama de unicórnio deixava ela a coisa mais fofa do mundo. Demi juntou os copos e os pratos e os levou para a cozinha, ela lavou o pouco de louça que haviam sujado, apagou as luzes e subiu para o quarto. Seu sorriso foi de orelha à orelha ao ver Alana deitada na cama esperando por ela. Demi caminhou até o banheiro, escovou os dentes e voltou para o quarto deitando-se ao lado da filha. — Você está ansiosa para ir ver os bichinhos no zoológico amanhã? — Perguntou adentrando os dedos no couro cabeludo da filha para acariciar.

— Sim, eu estou ansiosa para ver os leões, os ursos e as girafas! — O sorriso de Alana fez Demi sorrir e agradecer mentalmente pela filha maravilhosa que tinha. — As girafas são enormes, não são?

— São sim, elas tem um pescoço bem longo e faz com que a gente se sinta bem pequenina perto delas.

— Você já foi ao zoológico, mãe?

— Uma vez quando eu tinha sua idade. — Demi sorriu com a lembrança e suspirou. Havia sido seu presente de aniversário, depois muito implorar para que seus pais a levassem já que eles passavam boa parte do tempo no hospital. — Seus avós me levaram e foi um dia muito legal. — Disse e esticou o braço para apagar a luz do quarto quando viu a filha bocejar.

— Mamãe?

— Hm? — Demi murmurou

— Eu sei que você não gosta de falar muito sobre isso, mas... pode falar um pouco sobre você e o meu papai? — Demi suspirou profundamente e fechou os olhos brevemente revivendo cada momento que passou ao lado de Joseph, hoje já não doía lembrar daquelas memórias mas ela não gostava e tentava o máximo não reviver aquelas lembranças.

— Nós nos conhecemos em uma festa. O sorriso dele era o mais bonito de toda festa e eu me vi apaixonada por ele no momento em que os olhos verdes dele encarou os meus. — Demi parou brevemente para olhar a filha e sorriu ao ver que a garotinha prestava atenção em cada palavra que ela dizia. — Quando nós nos beijamos pela primeira vez foi uma explosão de sentimentos, eu senti coisas que nunca havia sentido antes e foi muito especial pra mim. Depois disso, nós dois queríamos ficar juntos toda hora, à todo o momento mas meu pai não apoiava a nossa relação então nós fugíamos para ficar juntos. — Sorriu lembrando de todas às vezes que fugiu de casa para ficar com Joe no apartamento dele. — Eu gostava muito de ficar com ele, eu me sentia protegida e segura, capaz de enfrentar qualquer problema.

— E o que aconteceu? — Perguntou sonolenta com os olhinhos fechados.

— Nós ficamos juntos por muitos dias, ele era o meu ponto de paz e eu estava completamente apaixonada por ele, adorávamos ficar deitados abraçados assistindo filmes e namorando. Mas as coisas ficaram difíceis pra nós e acabamos nos separando, foi quando eu descobri que estava grávida de você e tive que vim embora.

— Como é o nome do meu pai? — Demi parou de alisar o cabelo da menina no mesmo instante e fechou os olhos. Tinha como fugir daquela situação? Ela abriu os olhos e encarou a filha sem saber ao certo o que deveria dizer. Mentia ou dizia a verdade?

— Alana...

— Por favor, mamãe.

— Joseph. O nome do seu pai é Joseph. — Como aquelas palavras haviam saído da sua boca, Demi não sabia mas elas foram ditas e não tinha como retirá-las. Demetria mordeu o lábio inferior e franziu o cenho quando viu os lábios da filha se curvar em um sorriso.

— É o mesmo nome do meu amigo Joe. — Alana disse e fechou os olhos se acomodando melhor na cama. Demi respirou fundo e massageou as têmporas não tinha como aquela situação ficar pior. Ela levantou-se cuidadosamente quando viu que a filha estava adormecida e desceu descalça até a sala, ela plugou o notebook na televisão, abriu a netflix e colocou um episódio de friends, precisa distrair sua mente de alguma maneira. Conforme os minutos iam passando, Demi sentia suas pálpebras pesarem, ela acomodou-se melhor no sofá e fechou os olhos se entregando ao sono.


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queria muito deixar o capítulo maior mas eu não tive nenhuma ideia e não queria demorar mais pra postar pra vocês, sinto muito pela demora mas estava passando uns dias em uma cidadezinha pequena e não tinha como escrever. enfim, respostas aqui | vou começar à escrever o próximo agora mesmo, beijos meus amores, até o próximo capítulo. 


fada cubana